terça-feira, 26 de abril de 2011

Ouvindo e tentando entender as razões dos outros



Quando eu faço triagens de pessoas que querem se divorciar, ouvindo-as, eu acabei concluindo o seguinte:

 
Por que o amor desaparece? Aquele casal que se amava e que depois de algum tempo, que nos dias atuais é cada vez menor, procura um advogado, senta-se diante dele e manifesta o desejo de não viver mais junto. Por vezes aqueles dois que se amavam nem se olham...olham para o advogado, para o teto, para o chão, para a estante cheia de livros mas não olham para aquela pessoa que está ali sentada ao lado dela e que outrara fora o amor de sua vida. É perceptível concluir ao ouvir esses casais à beira do divórcio que todo mundo busca, mas pouca gente consegue encontrar um amor que supere o maior dos desafios: o tempo. Num grande amor, capaz de sobreviver ao lado B da vida (a rotina, a dor, a doença, as instabilidades e as dificuldades financeiras) é preciso entender que o outro é, na verdade, muito diferente de nós. Nâo é nossa alma gêmea. Não sendo duas pessoas iguais, é preciso ser humilde e tentar compreendê-lo ou compreendê-la colocando-se no seu lugar.

É preciso entender também que uma relação amorosa não sobrevive sem diálogo. Mas isso não significa exclusivamente discutir a relação. Dialogar pode ser tratar de fatos do dia a dia, da família, do trabalho e até da vida e suas implicações. Os homens sempre imaginam que vão levar bronca quando começa uma conversa a dois. A diferença é que eles encaram conversas como um jeito de resolver problemas. Solucionar problemas é a forma masculina de demonstrar interesse. Aprenda a ouvir as queixas e as críticas dele sem se revoltar. O homem não encontra na mulher uma boa interlocutora porque ela não encara como sentimento as experiências que ele traz para a conversa. Mal interpretado, ele acaba silenciando. O ideal é revelar seus sentimentos, sem acusar. Diga sempre: é difícil para mim quando... ou fico triste ao perceber que... Isso não quer dizer que você deva engolir sapos. Pessoas que não dizem o que sentem acumulam mágoas e, mais cedo ou mais tarde, elas reaparecem e daí explodem. A ideia de felicidade conjugal depende da expectativa que se tem da união. Uma das chaves da felicidade a dois é a capacidade de se adaptar. O casal tem de administrar a imprevisibilidade da vida, sem sobrecarregar a relação com as tensões do dia a dia. O amor companheiro nasce da criatividade, que ensina a lidar com as divergências, sem querer mudar o parceiro.

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